MARIM ROMANO

Reconstituição topográfica e funcional do sítio romano de Marim, no Algarve

 

 

 

Luís Fraga da Silva

Campo Arqueológico de Tavira, 2006-11

 

Existe uma versão mais recente deste estudo aqui!

 

 

A verão on-line do estudo é constituída por um texto ilustrado e por mapas vectoriais anexos, em ficheiros pdf separados, correspondentes às figuras da coluna à esquerda.

 

 

Marim romano (Quelfes, Olhão, Faro, Portugal) é um dos complexos arqueológicos mais importantes do Algarve.

Foi um importante aglomerado não urbano, situado junto a um porto natural da laguna de Faro-Olhão, no território de Ossonoba, no Sul da província romana da Lusitânia.

Praticamente destruído desde a sua descoberta por Estácio da Veiga em finais do séc. XIX, o sítio ficou notável por uma rica e invulgar colecção de epigrafia funerária, por desenhos e espólios de edifícios importantes, para além da notícia de um tesouro de 100 solidii do imperador Honório.

Este estudo reconstitui a hipotética topografia antiga do lugar e discute o perfil funcional e a evolução histórica do assentamento.

Marim surge formado por dois núcleos distintos: uma luxuosa villa rústica e um porto, com um complexo que inclui um balneário. No Baixo-Império, a villa terá sido a residência oficial do administrador portuário.

Seria um porto-de-escala e um porto-de-abrigo na navegação de longo curso proveniente do Mediterrâneo e da Bética, graças à sua facilidade de acesso pelas barras do Levante, superior à do porto de Ossonoba. Seria também um porto de interface local, nomeadamente com o vicus de Moncarapacho (a provável Stacio Sacra referida na Cosmografia do Anónimo de Ravena) e com o eixo viário para Pax Iulia (Beja).

No séc. II a villa pode ter pertencido a um ramo dos Anii, gens hispânica ligada à casa imperial dos Antoninos, com ligações no Algarve.

Na vizinhança estabeleceu-se uma fábrica de salgas, num núcleo com funções piscatórias e habitacionais, que funcionou como tal na 2ª metade do séc. II e 1ª do III. Pertenceria à firma da marca IVNIORVM, produtora de salgas e conservas de peixe e de materiais de construção com larga difusão regional.

A presença de um templo pagão privado, construído provavelmente c. 360 d.n.E., no estilo do de Milreu (Faro) e S. Cucufate (Vidigueira), mostra que o possessor de Marim era então uma personalidade importante da hierarquia de Ossonoba, familiarizado ou aculturado com os gostos arquitectónicos da corte imperial, então em Treveris (Trier).

O tesouro acima referido, de moedas não circuladas e cunhadas entre 395 e 402, revela a importância estratégica de Marim (e, portanto, de Ossonoba) na política hispânica do final do Império e indicia a presença de oficiais fiéis ao imperador Honório, que terão participado, após 407, contra a usurpação de Constantino III, no teatro de guerra da Lusitânia. A derrota do partido teodosiano em 409, seguida pela queda do poder romano em 411, terá sido a causa mais provável da sua não recuperação.

Numa época indeterminada, entre os sécs. IV e VII, o sítio passaria a designar-se por *villa Marini, (Vilamarim no séc. XVII), conservando o nome de uma linhagem dos seus possessores.

 

Do ponto de vista patrimonial e de memória histórica do Algarve, Marim romano é o sítio mais significativo existente no actual concelho de Olhão.

O seu conhecimento é fundamental para a história da ocupação romana da Região e, localmente, para a história milenária dos modos de ocupação humana da Ria.

A parte conhecida do complexo arqueológico abrange uma larga extensão, integrada no Parque Natural da Ria Formosa.

O seu estudo e preservação estão em grande risco, devido ao projecto de uma mega-empreendimento turístico-imobiliário, actualmente em curso.

 

 

 

Mapa da extensão conhecida da ocupação romana de Marim

 

texto Marim Romano (1.1 MB)

mapa Território de Ossonoba a Balsa (460 KB)

mapa Marim, Quatrim, Bias, Moncarapacho (200 KB)

mapa Marim Romano (320 KB)

mapa Marim Romano - Núcleos centrais (580 KB)

mapa Complexo do balneário (60 KB)

mapa Assentamentos comparados (1.32 MB)

 

 

© Autor e Campo Arqueológico de Tavira

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